Aquilo não podia ser real, não sabia mais o que pensar, o que era imaginação ou o que era realidade, resolvi apenas agir. Voltei alguns passos, peguei o bastão de baseball do James, relutei. Não queria sair do quarto, queria fechar meus olhos e quando os abrisse, tudo voltasse ao normal. respirei fundo e sem pensar, prendi minha respiração e andei em direção à porta. Ainda não dava para ver o que estava sobre os meus pés, passei por cima e corri para o corredor, liguei a luz, mas nada aconteceu, tudo continuou escuro. Droga, ótima hora para a faltar energia. Ouvi mas passos, vindo do andar de baixo. Deus, o que seria aquilo. Provavelmente deus não teria nada a ver, talvez o inferno lhe caísse bem. Abri então a cortina do corredor, para que iluminasse aquilo que estava na entrada do meu quarto.
Era Bernardo, o velho cachorro da D. Fiorenza - eu não gostava de chamá-la de empregada, ela era da família, como uma tia -, deve ter brigado com o meu gato, e como já estava bastante velho, morreu. Pobre D. Fiorenza, tinha muito apego ao cão.
- Valentina!
Fiquei em estado de choque, nunca imaginaria escutar aquela voz, será que era coisa da minha mente? Como Giulia teria entrado na minha casa, e eu não saberia que ela estava lá? Não respondi, estava ficando louca.
- Valentina, sou eu!
Não exitei, corri pelas escadas, ela me esperava no canto da sala, sentada na cadeira do meu pai.
- Como você entrou aqui, Giulia?
- A porta estava aberta, e como ninguém me atendeu quando chamei, resolvi entrar. Pelo visto, aqui também está sem luz, você sabe o que está acontecendo?
- Não. É melhor você ir embora, as coisas andam estranhas por aqui.
- Eu sei, eu vou ficar.
- ... Como?
- O seu irmão me disse que você precisaria da minha ajuda. Ele apareceu na minha casa, não o reconheci, estava com um grave ferimento no braço, e estava muito sujo. O James anda envolvido em brigas?
- Merda! sussurei apertando os dentes de ódio, rolei para o sofá. Bati meu pé fortemente contra o piso, subiu o cheiro de pinho. Meu olhos vasculharam rapidamente o ambiente.
Não podia ser verdade, milhares de pensamentos surgiram na minha cabeça. Ele só podia ter lido o livro, e eu não podia relutar, estava acontecendo, era realidade. James, o meu irmão, teria sido mordido.. não, não e não! Eu precisava encontrá-lo, mas a minha familia correria perigo se eu não os avisasse, teria que esperá-los. Estava presa dentro da minha própria casa. - Valentina, será que dá para você me responder?
- Ah, desculpa... Giulia, as coisas podem ficar piores do que você imagina. O James não está envolvido com briga alguma, é uma longa história, você terá que confiar em mim e acima de tudo, ter sangue frio. Acho melhor você ir para sua casa.
- Eu já disse, vou ficar.
Nós estávamos sozinhas naquela sala, o que era bom. Olhei rapidamente para a cozinha e percebi que a porta estava fechada, isso não era uma coisa boa, durante toda a minha vida naquela casa, minha mãe proibira de fechar a porta da cozinha, ela dizia que era perigoso, paranóia de mãe. Não mesmo. Definitivamente não era bom. Provavelmente significava que havia alguém, ou algo, lá dentro. E definitivamente isso transformaria o meu dia num belo pedaço fumegante de bosta.
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