sábado, 19 de dezembro de 2009

Sangue.

Eu estremeci, não sabia o que era aquilo. Minha única opção foi esperar. Agarrei com força minhas histórias, fui para o canto da cama e sussurrei pelo meu irmão, afinal, eu estava realmente com medo. A porta abriu, gritei, deslisei para baixo da cama, não ouvi passos, não ouvi vozes. Abri o diário em uma página qualquer e li.

Capítulo 12 - A procura.

Meus músculos fazem milhões de promessas de dores que estão por vir. O cachorro comeu suas tripas, dilacerando-o, eu sentia prazer nisso. Arranquei sua cabeça. Mas ele era apenas mais um desses vermes, mais um zumbi, não era ele quem eu realmente queria. Eu vou procurar e eu vou encontrar o causador disso tudo, aquele que não é um zumbi, mas também pode ser chamado de verme, ele que matou minha familia e o meu único amor, estou sozinha e vou vingar a morte deles, eu vou matá-lo. O inferno o qual eu o mandarei será um paraíso, comparado ao que eu vou fazê-lo sofrer, antes de sua morte (...) Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, eu não descansarei até destruir todos dessa corja...

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Acordei, ainda em baixo da cama. Acabei adormecendo enquanto lia. Finalmente conclui que aquilo tudo era apenas um pensamento, é claro que não iria acontecer tudo isso, só porque eu escrevi, só porque eu li. Zumbis! Isso não existe, é apenas uma história para assutar crianças, mas eu sempre tive um facínio por essa espécie, se assim posso chama-los, por isso eu escrevia. Decidi que não havia o que temer, mas o que teria sido aquele barulho? e os passos? ou quando a porta abriu? Pensamentos malditos, saiam da minha cabeça. Levantei, bati minha cabeça, tinha esquecido que estava no chão e a cama em cima de mim.
Estava cansada, arrastei-me para o banheiro, apoiei minha mão na pia e levantei. Ótimo, minha cabeça estava sangrando, odeio ser desastrada. Lavei meu rosto, tirei minha camisa, fiquei só com o top e a calça. Estava com fome, passei o dia ansiosa e por isso não me alimentei direito, então resolvi ir até a cozinha, pegar uma maçã. A porta do meu quarto estava fechada, estranho, pensava que tinha a visto abrir. Exitei um pouco antes de abri-la, meus pensamentos ainda me perturbavam. Abri, estava tudo muito escuro, e geralmente a luz no corredor fica acesa para iluminar a escada, e havia um cheiro forte, parecia com enxofre, senti o chão molhado e algo estava sobre meus pés.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Diário Real.

Nada que eu já não tenha visto antes. Quanta baboseira, bem que eu imaginei.

James fechou o diário de Valentina e o jogou debaixo da cama, para ele aquilo não tinha tanta importancia. Deu um leve e tranquilo suspiro, seus olhos foram baixando lentamente, mas ele não conseguiu dormir. Na verdade, ele havia gostado muito do que sua irmã escreveu, ele não conseguia parar de pensar na história, mas era tudo uma mentira.

Quem mais escreveria sobre mortos-vivos, algo repugnante e que não existe, fora a Valentina? É, realmente preciso dormir.

Mas o que James não sabia, é que nem tudo que julgamos contos, lendas e fantasias, pode tornar-se tão real quanto jamais imaginariamos.

O dia nunca foi tão longo quanto hoje e essa chuva fina, esse frio, só faz tudo parecer mais monótono. Tédio. Tédio. Tédio. Era assim que eu via os segundos passando, eu estava impaciente, mechia a perna, roia a unha do meu menor dedo, a única que eu roia quando estava nervosa. E se James tiver lido? será o meu fim, mais um apelido a ser ganho pela familia. Lunática, é disso que vão me chamar. Talvez eu seja, mas ainda considero que não. Hora do almoço.

Giulia não comeu, estava pálida, muito pálida. Eu estava sem fome, a ansiedade tomou conta da minha mente naquele dia, eu precisava saber se meu diário estava salvo. Nunca ousei a ler o que eu escrevia. Certa vez, quando criança, escrevi sobre um coelho que se tornava compulsivo por larvas, de repente surgiu um coelho no jardim, comia todas as larvas e conforme ia saciando-se, seu tamanho ia aumentando, já estava quase do tamanho de um bulldog francês, quando tive que matá-lo antes que minha mãe o visse. Desde então, só escrevo, não leio. Acabou o almoço.

Mais duas horas de aula e estou livre. Livre para esconder meu diário. Ou então, livre para receber acusações, apelidos, e provavelmente ser proibida de ter um diário. Espero que james não tenha passado das primeiras palavras, tenho medo do que possa acontecer. Adeus vida social na minha propria familia. Acabou a aula.

Não esperei pelo onibus, peguei um atalho pela floresta, o clima estava melhor, não chovia mais. Porem, as nuvens estavam mais carregadas, uma tempestade estava se aproximando, eu deveria estar preparada. Com toda a pressa, cortei meu dedo, exatamente o que eu roia, agora minha unha não teria gosto de esmalte desgasto, mas de sangue. Cheguei em casa, corri para o quarto. Meus lençois estavam bagunçados, James tinha passado por ali, meu diário não estava na cama como eu o deixara, onde estaria?

Outro baque estrondoso, dessa vez acompanhado de lentos passos arrastados, no corredor. Mais um baque.

Mortos ou Vivos?

Capítulo Um.

Eles estavam por toda a parte, era como uma epidemia que se alastrava a cada respiração nervosa de um horror que crescia incontrolavelmente.

Não corriam, apenas arrastavam os pés atrás de comida ou de algo que poderia ameaça-los. Pareciam estar mortos, pois tinham cheiro de cabarés do centro da cidade. Mas de uma coisa eu tenho certeza, eles podiam não ter tanta inteligencia, mas tinham fome da carne humana e pareciam nunca sacia-la. Seus olhos não focavam em nada, mas eles sabiam o que estavam procurando. Pareciam vários difuntos vagando pela escuridão. Ah sim, esqueci de mensionar, a maioria não sobrevive à luz do dia, várias bolhas gigantes estoram de sua pele, dos seus olhos saem fumaça e uma especie de secreção amarela, um pouco esverdeada, sai de todos os buracos do seu corpo. Se morderem algum humano, este terá um prazo de 24 horas até tranforma-se em um deles.

Eu estava preparada para enfrenta-los. Eu tinha nojo desse tipo que surgiu! Minhas pesquisas indicavam que era um vírus transmitido por um besouro que habita covas e alguns entram nos túmulos, após o contato com o morto, se esse besouro tiver contato com um humano, esse humano não estará tão vivo quanto antes, nem tão morto! Isso já existe há séculos, mas estes nem tão mortos e nem tão vivos não conseguiam se adaptar e morriam fácil. Algo aconteceu para que esse virus se proliferasse, é isso que eu vou descobrir.

Eles queriam a mim, todos eles. E eu tinha apenas meu grupo, o qual ia diminuindo a cada mês. Só os fortes sobrevivem, é questão de habilidade. Com o tempo só resta uma saída, ou você se adapta, ou você vira um deles. É nisso que eu me baseio.

Eu gostava disso, sempre gostei da sensação de medo, isso me excitava. Mas a verdade estava muito clara, eu podia morrer a qualquer momento, por isso terei uma morte digna, porque eu não vou desistir de acertar a cabeça de cada verme 'humano', se assim posso chama-los.