Nada que eu já não tenha visto antes. Quanta baboseira, bem que eu imaginei.
James fechou o diário de Valentina e o jogou debaixo da cama, para ele aquilo não tinha tanta importancia. Deu um leve e tranquilo suspiro, seus olhos foram baixando lentamente, mas ele não conseguiu dormir. Na verdade, ele havia gostado muito do que sua irmã escreveu, ele não conseguia parar de pensar na história, mas era tudo uma mentira.
Quem mais escreveria sobre mortos-vivos, algo repugnante e que não existe, fora a Valentina? É, realmente preciso dormir.
Mas o que James não sabia, é que nem tudo que julgamos contos, lendas e fantasias, pode tornar-se tão real quanto jamais imaginariamos.
O dia nunca foi tão longo quanto hoje e essa chuva fina, esse frio, só faz tudo parecer mais monótono. Tédio. Tédio. Tédio. Era assim que eu via os segundos passando, eu estava impaciente, mechia a perna, roia a unha do meu menor dedo, a única que eu roia quando estava nervosa. E se James tiver lido? será o meu fim, mais um apelido a ser ganho pela familia. Lunática, é disso que vão me chamar. Talvez eu seja, mas ainda considero que não. Hora do almoço.
Giulia não comeu, estava pálida, muito pálida. Eu estava sem fome, a ansiedade tomou conta da minha mente naquele dia, eu precisava saber se meu diário estava salvo. Nunca ousei a ler o que eu escrevia. Certa vez, quando criança, escrevi sobre um coelho que se tornava compulsivo por larvas, de repente surgiu um coelho no jardim, comia todas as larvas e conforme ia saciando-se, seu tamanho ia aumentando, já estava quase do tamanho de um bulldog francês, quando tive que matá-lo antes que minha mãe o visse. Desde então, só escrevo, não leio. Acabou o almoço.
Mais duas horas de aula e estou livre. Livre para esconder meu diário. Ou então, livre para receber acusações, apelidos, e provavelmente ser proibida de ter um diário. Espero que james não tenha passado das primeiras palavras, tenho medo do que possa acontecer. Adeus vida social na minha propria familia. Acabou a aula.
Não esperei pelo onibus, peguei um atalho pela floresta, o clima estava melhor, não chovia mais. Porem, as nuvens estavam mais carregadas, uma tempestade estava se aproximando, eu deveria estar preparada. Com toda a pressa, cortei meu dedo, exatamente o que eu roia, agora minha unha não teria gosto de esmalte desgasto, mas de sangue. Cheguei em casa, corri para o quarto. Meus lençois estavam bagunçados, James tinha passado por ali, meu diário não estava na cama como eu o deixara, onde estaria?
Outro baque estrondoso, dessa vez acompanhado de lentos passos arrastados, no corredor. Mais um baque.
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gostei! muito interessante...
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